Escrito por @Rapha_Limma Seg, 13 de Fevereiro de 2012 11:35
BLOG - CONTOS
“Essa história começa ao rés do chão, com passos. São eles o número, mas um número que não constitui um série. Não se pode contá-lo, porque cada uma de suas unidades é algo qualitativo: um estilo de apreensão táctil de apropriação cinésica. Os jogos dos passos moldam espaços. Tecem os lugares”.
Michel de Certeau
Na minha loucura de ter vivenciado o passado se construir em minha frente, me sinto impotente por alguns instantes, mas rapidamente tal sentimento é suplantado pela idéia de controle. E assim penso, será que poderia ter feito algo, eu posso tentar mudar o passado e construir um novo presente. Imerso em meus pensamentos, me pergunto se tal homem não estava impelido a fazer o que fez, ou as minhas palavras o influenciaram. Divago na idéia de um espaço construído pelos passos dos caminhantes, pelas falas, e pelas práticas. Mas porque me disseram que o tempo é fragmentado? Será que todos os fatos não se interligam? É isso que quero provar, eu posso resolver os acontecimentos do meu presente, apenas voltando no passado? São muitos questionamentos. Caminho tranqüilo em direção ao local de onde transpus o tempo na primeira vez, e ao me aproximar, ouve o som de tiros e bombas, mas ainda sigo calmo, e vejo o local se transformar novamente. Em uma mudança drástica de local me vejo caminhando em um hospital na cidade de Berlim. Ando pelos corredores frios do hospital, observo os mais variados casos pós traumáticos, de síndromes de guerra, a tristeza toma conta de mim, pois parece que tinha retornado tarde demais. Mas ao me deparar com um calendário que tinha a referida data. Procuro uma lista de pacientes, não encontro a quem procurava, e quando estava decidido a sair do hospital, mais bombas são ouvidas, alarmes de ataques, e depois o silêncio total. Crianças feridas chegam ao local, e um homem parcialmente cego, devido a uma bomba de gás, chega agonizando, crendo que irá perder a visão. Imediatamente eu o reconheço, e vejo naquele instante a possibilidade de mudar um passado presente sombrio, para mim, e que estava tão próximo. Porque não palpável? Aproximo-me, e falo com ele. Adolf! Quem é? Nesse exato instante eu sinto a presença de outra realidade, e bem mais forte que as demais com a qual me relacionei, com exceção do gato. Mas continuo a conversa. Sabes o que te aconteceu? Foi acometido por uma bomba de gás nas trincheiras. Mas não se perturbe, pois a sua perda de visão é temporária. Sinto-me mais confortável doutor, muito obrigado! E quem disse que eu sou o doutor? E quem é você? Eu, sou aquele que vim te alertar dos teus atos no futuro, e te dizer que deves se manter no caminho correto, pois todos os homens tem um imenso potencial. Ele segura o meu braço, e é gélido como a morte, mas foi sincero. E diz: você não é daqui, sei que não é! Realmente não. De onde você vem? Venho de alguns anos à frente, e sei bem o que irás fazer. E o que devo fazer? Não faça nada! Esse foi o meu maior erro, como poderia alterar o presente me ausentando de responsabilidade? Parto, mas por medo do que com o dever de missão comprida, pois a cada segundo a presença da outra entidade se aproximava, e eu estava em calafrios com aquele, não sei o que se aproximando, e antes de sair do quarto, deixo um livro. No momento que estou fora da enfermaria, uma força de súbito atinge a minha mente, o impacto foi tão forte, que passei quinze dias inconscientes nesse hospital em Berlim. Mas ao acordar sei que alguém visitou o Adolf, e o disse coisas, e principalmente coisas que ele queria ouvir. Na verdade, a entidade o despertou. Após esse fato, ele passou a dizer em seus discursos que tinha sido conclamando a defender o seu povo, por um ser transcendental, por anos me senti culpado, achando que o mesmo em seus devaneios da febre, ter me achado como tal entidade, mas após uma longa reclusão e imersos em meu pensamento, cheguei à conclusão que não. Ao sair do coma, vaguei na Berlim pós guerra, a procura de algo que não sabia, e atordoado com os meus atos, não nego, procurei formas de tentar consertar, e pensei nas formas mais drásticas, e comprei um revolver. Estava sendo vigiado, mas não que corria risco de morte, até que Raquel me apareceu. E eu aprendi da pior forma possível que não posso controlar nada, por mais que eu mude os fatos, os mesmos ocorreram de uma forma ou de outra, pois o tempo, ele é fragmentado, e não linear. Mas no momento que estou retornando para o meu tempo, consigo identificar qual era a realidade que me abateu, mas novamente o ele estava quebrado. Mas por pouco tempo, e o Gato não fugiria as minhas perguntas!