Escrito por @Soraoholanda Seg, 27 de Fevereiro de 2012 22:43
BLOG - CONTOS
Capítulo Seis – Extermínio
Sexto dia, 05 de junho de 2011.
Sete e vinte da manhã
A noite foi uma merda. Levantei cedo e encontrei Saulo na sala, ele dormiu lá, depois da briga Lili falou que não queria olhar na cara dele e por ai vai. Não vou me incomodar com isso, só se virar um problema real. Afinal, hoje teríamos muito mais coisas para se preocupar, como eliminar os zumbis em voltar era uma delas.
Retomamos a rotina, após o treino e o café da manhã fui para o posto de observação na casa do vizinho para pensar em um plano. Cara muitos zumbis, ficar em pé na esquina matando um por um não é uma boa ideia, facilmente seriamos cercados e fim da história; atirar também não, só íamos atrair um maior número. Vai ser difícil pensar em uma forma segura de agir.
Saulo chegou, está irado porque Lili ainda está com raiva dele. Mas, ele ainda deu uma boa ideia para matarmos os zumbis. Podíamos pegar um carro e atropelar o maior número possível deles. O único problema é que se rua estivesse com muitos deles seria difícil retornar ou pior, poderíamos ficar presos, mas já é um começo. Agora é elaborar.
Nove horas da manhã
Sentei com Saulo e planejamos um plano de como matar o máximo de zumbis. O plano até que ficou bom, sem noção, mas é o melhor que temos. Pelos menos poderemos matar uma boa quantidade deles de uma vez só. Iremos utilizar o carro do vizinho para matar o maior número de infectados que conseguirmos, ou pelo menos deixaremos eles incapacitados então basta acabar com eles com calma. Vamos esperar que de certo, afinal, não temos escolha precisamos assegurar o entorno da casa.
Contei o plano a todos, Saulo seria o motorista eu no carona e Alessandra vai atrás dando suporte. Acho que ela não gostou muito da ideia, mas ela tem noções de direção e eu não sei nada então, ela tem que ir para caso de alguma merda. Já me acostumei com o fato de que tudo sempre pode piorar e pelo menos ela vai deixar de ser peso morto e fazer algo de útil. Sairemos de duas horas.
Uma hora da tarde
Almoçamos e fomos nos preparar, Alessandra não quis comer. Estou preocupado, eu e Saulo estamos levando isso tão bem... se habituar com essa situação não é confortável, mas é o único meio de nos mantermos vivos, não ter medo e manter o controle.
Pegamos nossas roupas de sempre e nos preparamos para a batalha. Eu com meu machete, escudo e uma escopeta; como Saulo ia dirigindo ele levou somente um dos revolveres e uma machadinha; e Alessandra ficou com o outro revolver, um machete e a espingarda 12, não achava que ela seria capaz de atirar com aquilo, mas era bom levar muitas armas, elas iam ser necessárias e prefiro pecar pelo excesso do que pelas falta. Tive o cuidado de preparar duas mochilas com todas as balas sobressalentes possíveis, alguns alimentos enlatados e água. Aproveitei os dez litros de gasolina que havia comprado antes do apocalipse para preparar quatro coquetéis molotov. Bastante uteis por sinal, fáceis de produzir, eficientes e simples de usar, coloque fogo no pano e arremesse o treco o mais longe que puder.
Estávamos equipados e preparados para a nossa tarefa, Alessandra está chorando e já vomitou. Mas, não temos escolha ela tem que ir, todos precisam trabalhar e ajudar em algo. Além disso, preciso que alguém com o mínimo de chances de luta fique na casa caso o pior venha a acontecer.
Duas horas da tarde
Fomos para a garagem do vizinho, Wesley olhou por cima do portão e não viu nenhum zumbi na calçada da casa, todos ainda estavam na rua perambulando. Eram necessários velocidade e precisão para evitar que os infectados invadissem a casa, Wesley e Lucas iam abrir os portões para que saíssemos e depois iam fechá-lo até que retornássemos. Peguei o meu pen drive com músicas e coloquei no som do carro, precisávamos fazer barulho na rua, fechamos os vidros e esperamos o sinal de Wesley, ligaríamos o carro assim que ele abrisse o portão. Com sorte poderíamos sair rápido e sem maiores problemas, espero que esse uno agüente o tranco.
Wesley abriu o portão rapidamente, Saulo ligou o carro e engatou a ré saindo no momento em que o portão abriu. Acertamos cinco zumbis na rua enquanto o carro descia. Bem, digamos que a coisa estava feia, não tinha como contar a quantidade de zumbis que começaram a vir em nossa direção. Wesley já estava fechando o portão, não tinha mais volta. Falei para Saulo dar a volta no quarteirão indo pela rua de trás e atropelando os infectados. Liguei o som no volume máximo, ouvir System of a Down enquanto seu amigo dirige um carro atropelando zumbis é no mínimo estranho, mas pelo menos ajuda a criar um incentivo para a violência.
Saulo acelerou o carro tentando acertar o maior número possível de zumbis. Estava dando certo, já íamos entrar pela rua de minha casa e tínhamos atropelado uma grande quantidade deles sem sofrermos muitos danos, exceto um ou outro zumbi que batia no vidro, mas ele ainda estava inteiro. Demos a volta no quarteirão e voltamos para a rua principal, agora seria a parte difícil, acelerar por cima dos zumbis que tinham nos seguido da BR, será que o carro aquentava? Saulo pisou fundo e avançou.
Meu eu garanto uma coisa, um uno não é um carro bom para atropelar zumbis, quanto mais uma horda inteira deles. Atropelamos uma quantidade enorme de zumbis, mas eram muitos. Saulo perdeu o controle e um deles acertou o pára-brisa em cheio estilhaçando o vidro e caindo para dentro do carro. Vi o corpo do zumbi entrando pelo meio do vidro parando quando os ombros bateram entre os bancos da frente. Alessandra se desesperou e puxou o revolver, foi tudo muito rápido. Quando o zumbi entrou pára-brisa adentro e voltou a se mover ela disparou contra ele sem nem respirar.
Coisa boa não podia dar nessa situação, a infeliz tem uma mira péssima, descarregou a arma. Mas, mesmo com a distancia mínima, ela acertou somente dois tiros os outros saíram pelo pára-brisa. Eu e Saulo nem nos ligamos muito na situação, estávamos mais preocupados com o carro indo a toda em direção do muro de uma casa. Saulo forçou a direção, mas o carro não fez a curva, puxei o freio de mão fazendo o uno girar em um cavalo de pau. Quando o carro girou ficamos parados no meio da rua virados para a calçada. Os zumbis começaram a bater no vidro e Saulo acelerou na direção de um prédio em construção, o carro subiu a calçada e a parte da frente do carro bateu diretamente com um portão velho de madeira que fechava a construção. O choque fez o corpo do zumbi ser jogado para dentro da construção. O carro tinha ficado encaixado exatamente em frente da única entrada e os zumbis se apinhavam em volta do carro. Gritei para Saulo sair pelo pára-brisa quebrado, Puxei Alessandra pelo braço e a joguei na direção de Saulo que já tinha saído e atirava nos zumbis de cima do capo do carro, peguei as mochilas e me arrastei para fora, pude sentir uma dor forte um pouco acima do cotovelo e vi sangue molhando minha jaqueta. Merda,agora fudeu.
Saulo já tinha descarregado a arma e desferia golpes de machadinha nos zumbis que tentavam entrar subindo no capo. Me arrastei para fora e assim que entrei na construção vi uma pilha de sacos de cimento, iam servir para fazer uma barricada na porta. Mandei Saulo segurar as pontas e comecei a pegar os sacos e jogá-los sobre o capo, quando a barreira de um lado ficou alta, Saulo pulou para dentro e me ajudou com mais sacos acabando de fechar a porta, após empilhar uns vinte sacos de cimento conseguimos fechar a entrada, pelo menos por enquanto.
Mas ainda não podíamos abaixar a guarda. Não sabíamos se haviam zumbis conosco ali dentro. Pelo menos eu conhecia o local, o prédio pertence à aos pais de Caetano e fica colocado com a casa dele. Provavelmente não teria nenhum zumbi aqui, espero. Falei para Saulo e Alessandra me seguirem, saímos pela entrada à direita que se não me falava a memória teria uma porta que levaria para um acesso para a laje onde ficariam dois apartamentos. Chegamos à ladeira que deveria vir a ser a escada de acesso ao primeiro andar, subimos com alguma dificuldade, meu braço continuava doendo muito. Quando chegamos no topo sentamos para tomar um fôlego, tirei a jaqueta para ver o que tinha me ferido, será que me fudi mesmo dessa vez? Malditos zumbis.
Três horas e quarenta minutos da tarde
Porra. Levei um tiro! Alessandra deve ter me acertado quando atirou que nem louca no zumbi. Melhor assim, pensei que tinha sido mordido, um tiro pode sarar. Mesmo assim a situação está feia, estamos presos em cima da construção, sem transporte, com poucos suprimentos e para completar o som do carro não desligou, o que só está atraindo mais zumbis. Temos que pensar em algo urgente.
Posso ver Wesley no alto da caixa d’água lá de casa, já acenei informando que está tudo bem, temos que sair daqui logo...tão perto, mas tão longe! Saulo e Alessandra estão bem eles foram espiar dentro da casa de Caetano e pela construção ver se conseguem alguma coisa útil para sairmos daqui, com esse braço machucado eu não sou muito útil, improvisei um curativo no braço, deixei as armas carregadas e preparei uma fogueira com restos de madeira que encontrei na construção, tenho a impressão de que iremos ficar aqui por um tempo.
Faz mais de meia hora que Saulo entrou na casa de Caetano, ele apareceu na área dizendo que tava tudo bem, a casa estava vazia, o pessoal devia ter ido para Natal e levados os cachorros juntos. Ele ia entrar com Alessandra na casa e ver o que encontrava por lá e depois iria pular o muro do vizinho que era baixo e verificar também. Quem sabe poderia encontrar algo útil.
Desci a ladeira e fui verificar a barricada. Estava aquentando bem, por enquanto, mesmo assim fui nos fundos da construção e peguei tudo que podia para aumentar e fortalecer a barricada, coloquei algumas estacas para sustentar os sacos de cimento e voltei para cima da laje, vou contar os zumbis e ver quantos já tem ai embaixo. Subi, e dei uma boa olhada... a coisa está feia! A porra do som ainda não desligou, e todo o barulho que agente fez atraiu mais zumbis, acabamos piorando a situação posso contar algo em torno de 200. Caralho! São muitos, a rua está cheia, se continuar assim a barricada não vai agüentar.
Quatro e trinta seis da tarde
Saulo e Alessandra retornaram da busca. Os dois estavam ofegantes, mas Saulo parecia bastante feliz. Disse que encontrou um zumbi na casa do vizinho de Caetano, mas deu conta e demorou porque estava vendo o que tinha nas residências e ai ele teve uma ideia. Ele disse que podíamos tentar fazer que nem em Madrugada dos Mortos na cena da fuga do shopping. Nos pegaríamos os bujões de gás das casas e os explodiríamos nos zumbis!
Apesar de ser uma ideia muito insana, era a nossa melhor opção, ou melhor única! Começamos a fazer os preparativos, Saulo e Alessandra foram trazer os bujões de gás da casa de Caetano e do vizinho, eu preparei os coquetéis molotov para incendiar os bujões. Saulo retornou com três bujões de gás, todos com as mangueiras cortadas e alimentos em uma mochila que ele arrumou na casa de Caetano. Nós preparamos, para a destruição, se a explosão fosse forte o suficiente poderia abrir caminho entre os zumbis, só esperava que a construção fosse forte o suficiente.
Saulo e eu fomos para a beirada abrimos o registro dos bujões e os jogamos na rua, caíram por trás do carro, voltamos e acendemos os quatro coquetéis molotov. Fomos para a extremidade da construção, era hora do tudo ou nada. O gás já havia vazado o suficiente, assim que lançamos os molotovs nos jogamos no chão.
Serio, parecia o inferno. Quando os coquetéis tocaram o chão e explodiram, os três bujões explodiram. A construção tremeu, mas permaneceu em pé, podemos sentir o calor escaldante da explosão, o impacto e o barulho ensurdecedor. Assim que o barulho cessou me levantei e fui olhar a situação, Saulo ainda estava abaixo junto de Alessandra, falando algo para ela.
Finalmente um plano que deu certo. Caramba o estrago foi imenso, os zumbis estavam se amontoando na entrada então atingimos a maioria deles, além do carro ter explodido também e os que não foram pegos pela explosão o fogo estava fazendo o serviço. Devemos ter matado noventa porcento dos infelizes e tínhamos nosso caminho de volta para casa aberto e com uns poucos zumbis. Chamei Saulo e Alessandra, estávamos voltando para casa e tínhamos voltados com vida do inferno.
Oito horas da noite
Estou muito cansado. Gildy costurou a ferida e limpou com vinagre e iodo, n]ao deve infeccionar. Pelo menos matamos um número absurdo de zumbis, a rua está praticamente limpa, mas fizemos tanto barulho com a explosão que muitos outros devem aparecer. Bem, agora isso não importa, voltamos os três vivos e sem ferimentos graves, podíamos ter morrido dessa vez.
Saulo brigou de novo com Lili e Foi ficar vigiando no alto da caixa d’água. Alessandra está mais tranquila, depois dessa, ela vai agüentar o tranco outras vezes. É disso que preciso, pessoas fortes, que agüentem a pressão e possam lutar. Vou dormir, amanhã teremos que ver a situação da rua, suprimentos e retomar as atividades.... Cara como queria que a energia elétrica voltasse, poderíamos ouvir música pelo menos.